terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pensando na vida II

Meu aniversário foi há 5 dias... Fiz 25... Sempre meu aniversário me faz pensar na vida, no que passou até agora, no que está por vir...

Dessa vez pensei muito mais no passado... Acho que porque é meu primeiro aniversário longe dos meus pais... Senti muito a falta deles... Todo ano minha mãe começa o dia falando como se fosse o dia do meu nascimento, relatando o que estava acontecendo naquele momento... É tão bom... Dessa vez ela me ligou perto da hora do almoço, dizendo que eu já estava dando sinais de que ia nascer...

O dia do meu nascimento foi engraçado... Minha mãe acordou cedo e foi trabalhar e lá (acho que meio que no meio da manhã) estourou a bolsa dela... O pessoal mandando ela ir pro hospital e ela estava preocupada, porque tinha um menino pra atender!!! (minha mãe é assistente social) Aí ela foi pra casa, tomou banho, tirou foto (!!!) pegou a malinha e lá foram meus pais pro hospital... Esses tempos tirei uma foto do hospital onde nasci, não sei onde tá... Tenho que caçar lá em casa... Aí parece na hora do almoço já começaram algumas contrações da minha mãe... Mas eu já nasci preguiçosa... Enrolei minha mãe até às 18:18... Ela disse que foi dolorido... Mas também disse que foi a melhor experiência que ela teve... Depois que eu nasci me levaram pro berçário... Parece que lá me deram um tal de chá (que deve ter algo de nutritivo, sei lá) e minha mãe sempre fala que eu esnobei o peito dela quando cheguei pra mamar, porque estava cheia de chá... E ela sempre contrasta com o caso do meu irmão (que tem uma história muito mais emocionante do que a minha) que agarrou o peito dela todo esfomeado... O que sempre me fez sentir ciumes, mas enfim... :P Ela também sempre me conta de como foi meu primeiro banho em casa, de como ela lutava pra me amamentar no peito, e era uma luta porque o leite dela sempre empedrava...

Essa historia, que ela conta todo ano, acho que foi o que mais me motivou a querer ser mãe... Ela fala das boas experiências e das dificuldades que passou como mãe de primeira viagem de forma tão apaixonada! Não sei até que ponto minha paixão surgiu de mim ou veio dela, a questão é que eu também tenho as mesmas vontades... Até o parto normal, que sempre foi o que ela desejou, é o que eu quero... Ela disse que eu nasci meio roxa... Parece que meu índice apgar foi 6 e que talvez teria sido mais prudente o médico sugerir cesária... Esse médico se provou bem pouco confiável no nascimento do meu irmão, aliás... Mas enfim, essa história fica pra depois...

Engraçado, parece que eu e meu irmão nascemos pra ajudar a curar as tristezas, porque os dois nascemos após mortes dolorosas... Eu nasci depois da morte do meu único tio por parte de mãe e meu irmão nasceu após a morte do meu avô, pai do meu pai...

Mas enfim, estou divergindo... O que eu queria dizer, no começo do post é que esse ano eu lembrei muito do passado, de como eram meus aniversários na infância, das minhas percepções infantis, como a lembrança da minha primeira casa em Londrina, a época em que minha mãe deixou meu cabelo crescer, o jeito que ela escovava meus dentes, a papinha que ela fazia pra mim na panela de ferro, minhas mamadeiras com mel que ela mexia com aquela colher comprida, o creme de milho que ela fazia na panela esmaltada branca, os carrinhos de fricção da coleção do meu pai com que eu brincava (e que depois que nasceu meu irmão destruiu quase todos, fiquei fula!), as visitas da minha tia, quando eu dormia com ela no sofá-cama da sala e quando eu dormia ao som das conversas dela com a minha mãe, de soltar pipa com meu pai, de andar a cavalo com meu pai, de andar a cavalo sozinha pelas primeiras vezes, das casinhas que eu montava com caixa de papelão na fazenda, da minha casinha na árvore na fazenda antiga... Enfim, tanta coisa... Se eu deixar rolar a coisa não tem fim...

Nem sei como terminar esse post... Acho que vou deixar duas músicas que significaram muito pra mim na infancia e agora me lembra meus pais... Os grandes responsáveis por eu estar aqui hoje e por eu ser quem eu sou...

Um abraço!

Valsa para uma menininha
(Toquinho/Vinicius de Moraes)

Menininha do meu coração
Eu só quero você a três palmos do chão.
Menininha não cresça mais não,
Fique pequenininha na minha canção.
Senhorinha levada, batendo palminha,
Fingindo assustada do bicho-papão.

Menininha, que graça é você,
Uma coisinha assim, começando a viver.
Fique assim, meu amor, sem crescer,
Porque o mundo é ruim, é ruim, e você
Vai sofrer de repente uma desilusão
Porque o mundo somente é seu bicho-papão.

Fique assim, fique assim, sempre assim
E se lembre de mim pelas coisas que eu dei.
E também não se esqueça de mim
Quando você souber, enfim,
De tudo que eu guardei.

De Umbigo a Umbiguinho
(Toquinho/Elifas Andreato)

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe já pulsava sem querer
O meu pequenino coração,
Que é sempre o primeiro a ser formado
Nesta linda confusão.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe já comia pra viver
Cheese salada, bala ou bacalhau.
Vinha tudo pronto e mastigado
No cordão umbilical.

Tanto carinho, quanta atenção.
Colo quentinho, ah! Que tempo bom!
De umbigo a umbiguinho um elo sem fim
Num cordãozinho da mamãe pra mim.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe começava a conviver
Com as mais estranhas sensações:
Vontade de comer de madrugada
Marmelada ou camarões.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe me virava pra escolher
A mais confortável posição.
São nove meses sem se fazer nada,
Entre água e escuridão.

Tanto carinho, quanta atenção.
Colo quentinho, ah! Que tempo bom!
De umbigo a umbiguinho um elo sem fim
Num cordãozinho da mamãe pra mim.

4 comentários:

Airton Stori disse...

isso me fez deitar lágrimas de saudade ! !
Vc me faz feliz, filha do coração!!
Te amooooo!!!

Kizoza disse...

Lis! Tá louca, mulher? Chorei aqui e nem sou da sua família!!!!! Sei como se sentiu... eu não tenho nenhum desses rituais de quando faço aniversário, mas sou saudosa com minha infância e ela nem foi tão legal. Esses tempos chorei por ver uma boneca Feijãozinho no mercado livre, igualzinha à minha, mas deram embora e eu nem fiquei sabendo! Enfim, crescer é aprender coisas novas e deixar algumas pra trás. E uma das coisas que deixamos é nosso precioso tesouro do passado.

Elis disse...

Eu tive uma feijãozinho... Foi minha primeira boneca!!! :)

Elis disse...

Paizinho, chora não!!! Te amo muito!!